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27 agosto 2013

Críticas a performance de Miley Cyrus no VMA provam que a hipocrisia ainda reina entre nós!

Foi com muita tristeza que algumas horas após o VMA 2013 eu pude constatar que o conceito de sexy permitido no imaginário popular ainda é o da mulher subserviente ao desejo masculino no velho estilo Britney Spears no In The Zone e Beyoncé no Dangerously In Love. Infelizmente ainda é muito difícil para a sociedade (para o meu espanto até mesmo para muitos da comunidade LGBT) ver uma mulher sendo o centro de um palco e “usando” alguns caras como acessórios ao invés dela ser o acessório de uma sedução “vitimista” mandando beijinhos e fazendo caras de espanto ao protagonizar um movimento digamos que mais ousado.

Nisso eu vejo também que a noção errônea de “apropriação cultural” ainda existe e que essas pessoas todas amantes de música pop que se dizem tão livres ainda preferem marginalizar coisas simples como um Twerk. Eu digo marginalizar no sentido de que isso até é permitido desde que seja num baile funk, bem longe da nossa casa e do nosso bairro tradicional e muito menos ao vivo numa emissora popular para um país (e o mundo) todo ver.

Mas nós já vimos essa história antes e em sentidos semelhantes. Pra quem não se lembra, em 2003, Britney Spears abandonava a sua imagem de santa e adotava figurinos no estilo prostituta fina com muito látex, a tradicional carinha de anjo num corpo suculento e era ovacionada. Causava no máximo um “oh” nos telespectadores enquanto a sua mãozinha percorria levemente as suas estranhas e ela esboçava a carinha de espanto que eu citei ai em cima. Enquanto isso do outro lado, o lado marginalizado, Christina Aguilera encarava a "vadia" de rua desbocada que falava o que queria, que usava roupas minúsculas simplesmente pelo prazer de mostrar um corpo que lhe pertencia, o que em nenhum dos vídeos da era Stripped ilustrou a possibilidade de que ele estava ali para ser usado para a satisfação sexual de algum cara. Mas obviamente Britney Spears era a favorita. Porque sim, ela era sexy. Mas ela era sexy da forma padronizada na maioria das vezes calada, com a sua opinião contida, seguindo o padrão que é permitido até paras as nossas donas de casa que usam Agente Provocateur para animar os maridinhos.

Mas Miley Cyrus não optou pela forma padrão. Tudo teria sido facilmente digerido se ela houvesse surgido num corpete de renda, salto 15, aplique esvoaçante e encenado um pega-pega com alguns dançarinos malhados. Mas não, ela mirou no kitsch, transportou o que há de mais cru do universo suburbano para o palco da elite da música pop que atualmente vive de promessas de falsos conceitos e produziu algumas caretas de desaprovação na já insuportável família Smith, por exemplo. Mas tudo bem, até ai eu compreendo porque se trata de uma plateia repleta de entertainers afoitos pela aprovação da maioria para que os seus projetos deem lucros, exceto claro, alguns poucos que não se prendem muito a isso.

Mas o que mais me espantou foi ver a recriminação de um público que clama diariamente por ousadia. Um público que na verdade, quer que essa ousadia seja realizada segundo o seu já padronizado conceito do que é sexy e do que não é. Do que é vulgar e do que não é. E eu só lamento. Lamento porque Miley Cyrus foi a única que conseguiu incorporar o espírito real do VMA e me fez ficar estática no sofá abismada com cada gesto seu e me fazendo desfrutar de uma sensação que senti pela última vez há exatos dez anos atrás quando Madonna beijou Britney e Aguilera no palco da mesma premiação. E é nisso que o VMA consiste. Em você não acreditar no que certo artista acabou de fazer e render discussões posteriores como ela fez. Essa garota foi a única a cumprir o objetivo do evento. Bangerz pode ser uma espécie de Stripped dessa década!

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